Os escribas e fariseus tinham grande relevância na época em que o Senhor Jesus viveu entre nós. Acontece que eles foram uma verdadeira pedra no sapato de Jesus, ao ponto de serem citados em inúmeros textos bíblicos do Novo Testamento de maneira muito negativa. 
Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson responde a dúvida do irmão Dirlei de Serrana/SP, que ao ouvir o programa sobre a diferença entre hebreus, israelitas e judeus, quis saber quem eram os escribas e fariseus citados em Mateus 23 e vários outros textos.
Ouça aqui no site, baixe e compartilhe com seus contatos para que mais pessoas tenham acesso aos ensinamentos preciosos da Palavra de Deus.
Deus o abençoe.

Leia o Estudo Bíblico a Seguir

No cenário do Novo Testamento, dois grupos ganham destaque constante: os escribas e os fariseus. Embora muito mencionados, suas funções e as razões dos embates com Jesus envolvem camadas profundas de cultura, religião e política. Compreender quem eram esses personagens é essencial para entender passagens como Mateus 23:23-25, onde Jesus confronta diretamente suas práticas.

O Papel dos Escribas: Os Doutores da Lei

Os escribas eram figuras de grande prestígio, responsáveis por registrar informações vitais em rolos e pergaminhos. Em uma época de analfabetismo generalizado, eles eram os guardiões do conhecimento e da lei, escrevendo desde documentos oficiais até as Escrituras Sagradas.

  • Especialistas no Antigo Testamento: Como o Novo Testamento ainda não existia, os escribas eram os “doutores da Lei”, consultados para interpretar e explicar os mandamentos ao povo.
  • Exemplos Bíblicos: Figuras notáveis como Baruc (escriba de Jeremias) e Esdras (líder fundamental no avivamento espiritual em Neemias) demonstram a importância histórica dessa função.

No entanto, com o tempo, suas interpretações muitas vezes distorciam o significado original das Escrituras, focando mais em regras do que na essência espiritual.

Quem Eram os Fariseus?

Os fariseus surgiram por volta do século II a.C., durante a Guerra dos Macabeus, com o objetivo de restaurar os valores judaicos que estavam se perdendo. Eles eram conhecidos pelo legalismo extremo e por serem o grupo mais influente no cotidiano do povo, controlando o ensino religioso.

Crenças e Comportamento

Embora Jesus os criticasse severamente, os fariseus compartilhavam crenças que permanecem fundamentais hoje, como:

  • A imortalidade da alma;
  • A soberania de Deus;
  • O juízo final;
  • A existência de um mundo espiritual.

O problema central, segundo as fontes, era o orgulho. Eles se tornaram tão meticulosos na observância externa que se afastaram da “verdadeira essência dos mandamentos”.

O Confronto de Jesus com a Hipocrisia Religiosa

Jesus frequentemente chamava os escribas e fariseus de hipócritas. O foco da crítica era a inversão de prioridades: eles davam mais importância aos rituais externos do que ao caráter interno.

Em Mateus 23, Jesus destaca essa contradição:

  • Dízimos e Justiça: Eles eram rigorosos ao dizimar pequenas ervas como a hortelã, o endro e o cominho, mas desprezavam o juízo, a misericórdia e a fé.
  • Exterior vs. Interior: Jesus usou a metáfora de “limpar o exterior do copo”, enquanto o interior permanecia cheio de rapina e intemperança.
  • Regras Pesadas: Eles impunham ao povo fardos e regras que nem eles mesmos conseguiam cumprir.

Fariseus vs. Saduceus: Diferenças e Alianças

Além dos fariseus, os saduceus exerciam grande influência, mas com características distintas:

CaracterísticaFariseusSaduceus
PerfilLegalistas extremos, influentes no povo.Elite política e religiosa, controlavam os sacerdotes.
Visão EspiritualAcreditavam na ressurreição e no mundo espiritual.Não acreditavam na ressurreição nem na intervenção direta de Deus.
Interpretação da LeiRígida e meticulosa.Liberal, focada apenas na Lei de Moisés (Pentateuco).

Uma Aliança por Conveniência

Apesar das diferenças teológicas, ambos os grupos viam Jesus como uma ameaça. Os fariseus temiam perder o poder religioso, enquanto os saduceus temiam pela sua estabilidade política e econômica. Essa união temporária para eliminar um “inimigo comum” culminou na crucificação de Jesus.

Lições do Contexto Histórico para a Atualidade

A crítica de Jesus revela o perigo de se apegar à letra da Lei sem considerar o espírito por trás dela. O foco excessivo em regras pode levar ao orgulho e à perda da conexão real com o Divino.

Mesmo diante da oposição constante e de ser acusado de blasfêmia por curar no sábado, Jesus demonstrou paciência e triunfou em sua missão. Embora tenha vindo para os seus e não tenha sido recebido por muitos judeus da época, Sua mensagem uniu judeus e gentios em um só povo.

Conclusão

Para entender melhor esses conflitos e a jornada espiritual de Jesus, recomenda-se:

  1. Leituras Sugeridas: João 1:11-12, os livros de Esdras e Neemias, e o capítulo 23 de Mateus.
  2. Versões Bíblicas: Use a Nova Versão Internacional (NVI) ou a Nova Tradução na Linguagem de Hoje para facilitar a compreensão.
  3. Pesquisa Digital: Utilize Bíblias eletrônicas com as palavras-chave “fariseus”, “escribas” e “saduceus” para analisar as reações de Jesus em diferentes contextos.
    Deus te abençoe!

Sobre o Autor

Jean Peterson
Jean Peterson

Mestre em Bibliologia, Especialista em Exegese e Interpretação Bíblica. Aprendi a estudar a Bíblia com profundidade, direção, clareza e constância. Desejo que você tenha a mesma oportunidade de ter sua vida transformada pela Palavra de Deus.

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *