Existem algumas denominações evangélicas que praticam o pedobatismo, isto é, batismo de crianças, como presbiterianos, luteranos, metodistas etc. Eles alegam que as crianças precisam do batismo porque herdaram o pecado original de seus pais.Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson busca em diversos textos bíblicos evidências de que crianças tenham sido batizadas, mas acaba descobrindo que existem alguns requisitos para o batismo aos quais elas não preenchem.Ouça aqui no site, baixe e compartilhe com seus contatos para que mais pessoas tenham acesso aos ensinamentos preciosos da Palavra de Deus.Deus o abençoe.
Leia o Estudo Bíblico a Seguir
O estudo bíblico analisa a questão sobre se crianças podem ser batizadas, examinando as práticas adotadas por diferentes grupos e denominações de forma respeitosa e fundamentada estritamente na Bíblia.
As Doutrinas do Batismo: Pedobatismo e Credobatismo
A compreensão doutrinária acerca do batismo divide-se fundamentalmente em duas visões teológicas:
- Pedobatismo: Praticado pelos católicos e por cristãos de igrejas reformadas (como anglicanos, presbiterianos e luteranos), que admitem o batismo de crianças. Os defensores entendem que os bebês já nascem pecadores e realizam a cerimônia como um sinal da entrada da criança na aliança espiritual mantida pelos pais com o Senhor Jesus.
- Credobatismo: Posição daqueles que batizam apenas adultos ou jovens que já possuem capacidade de crer no Senhor Jesus como seu único e suficiente Salvador.
Batismo, Circuncisão e o Pecado Original
Ao examinar as origens e justificativas do batismo infantil, faz-se uma comparação com as práticas do Antigo e do Novo Testamento.
Em Levítico, capítulo 12, institui-se a circuncisão ao oitavo dia de nascimento, rito pelo qual o próprio Senhor Jesus passou e foi apresentado no templo, conforme Lucas 2:21-23. Os adeptos do pedobatismo alegam que o batismo substituiu essa prática da antiga aliança. Contudo, a Escritura declara em Gálatas 5:6 que em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão possuem valor, mas sim a fé que opera pelo amor. Da mesma forma, Gálatas 6:15 reforça que o valor diante de Deus está em ser uma nova criatura.
Apesar de os reformados considerarem o batismo como um sacramento que complementa a salvação, o ensino bíblico coloca o crer como condição fundamental. Textos do livro de Atos dos Apóstolos (como Atos 2, Atos 8, Atos 10, Atos 16 e Atos 18) são frequentemente citados por pedobatistas para argumentar que a conversão de famílias inteiras deixava implícito o batismo de crianças. No entanto, não há no Novo Testamento qualquer registro explícito de batismo de bebês.
Quanto à doutrina do pecado original aplicada aos recém-nascidos, o texto de Ezequiel 18:19-20 esclarece que o filho não levará a iniquidade do pai e que a alma que pecar, esta morrerá. A Palavra sugere a inocência das crianças pequenas, tal como indicado em Romanos 7:7-9, onde o apóstolo Paulo aponta que o conhecimento do pecado ocorre mediante a lei.
A Condição de Crer e o Exemplo de Jesus
A criança pequena é pura e inocente, não possuindo discernimento entre o certo e o errado sem que lhe seja ensinado. Por não ter condições de exercer fé consciente, ela não preenche a condição bíblica para o batismo. A ordem bíblica estabelece que primeiro vem o crer para depois ser batizado, inexistindo casos em que filhos são batizados exclusivamente pela aliança dos pais.
- Marcos 16:16: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”.
- Romanos 10:9-10: A salvação requer confessar o Senhor Jesus com a boca e crer no coração em Sua ressurreição.
- 1 João 1:7: A purificação de todo pecado é realizada pelo sangue de Jesus Cristo no momento da fé.
- Memorial: Para os credobatistas, o batismo funciona como um memorial e uma declaração pública da fé.
O próprio exemplo do Senhor Jesus confirma a necessidade de consciência e maturidade: Ele não foi batizado em Sua infância, mas circuncidado e apresentado. Seu batismo por João Batista ocorreu por volta dos 30 anos de idade (Lucas 3:21-23). Além disso, em Atos 2:37-38, a instrução apostólica exige arrependimento e fé prévios ao batismo.
Evidências Bíblicas da Necessidade da Fé Prévia
A necessidade da confissão de fé antes do batismo é evidenciada em diversas passagens de Atos dos Apóstolos:
- O Eunuco (Atos 8): Diante da pergunta sobre o que impedia seu batismo, Filipe respondeu que seria lícito se cresse de todo o coração; após a declaração “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”, foi batizado por imersão.
- A Casa de Cornélio (Atos 10): Pedro indagou se poderiam recusar a água do batismo àqueles que haviam recebido o Espírito Santo, o qual é concedido aos que se arrependem e creem.
- Os Coríntios (Atos 18:8): O texto registra expressamente que muitos coríntios, ao ouvirem a pregação, creram e foram batizados.
A Inocência e a Maturidade para o Batismo
A conversão da família do carcereiro em Atos 16 demonstra que eles primeiro creram para depois serem batizados. Em relação à natureza das crianças, Mateus 18:3-4 enfatiza sua atitude de humildade e inocência como modelo para o Reino dos Céus. Embora Jesus tenha acolhido os pequeninos e dito “Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim”, Ele não determinou que fossem batizados.
O momento adequado para o batismo ocorre a partir do ponto em que a criança adquire maturidade e consciência de sua condição pecadora, compreendendo a necessidade do sacrifício de Jesus. Nesse estágio, o batismo pode ser realizado fundamentado na fé pessoal da própria criança. O relato do ladrão na cruz confirma ainda que a salvação é alcançada pela fé no Senhor Jesus, demonstrando que o ato do batismo em si não é o elemento salvífico. O batismo permanece como a demonstração pública e consciente da fé individual.
Deus te abençoe!
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