Alguns irmãos sinceros acreditam que não é correto falar para as pessoas quando se está jejuando, por causa de uma interpretação equivocada do texto bíblico de Mateus 6.16-18Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson busca esclarecer a questão de se falar ou não quando se está jejuando, explicando-nos o contexto bíblico e teológico que envolve o texto de Mateus 6.16-18.Ouça aqui no site, baixe e compartilhe com seus contatos para que mais pessoas tenham acesso aos ensinamentos preciosos da Palavra de Deus.Deus o abençoe.
Leia o Estudo Bíblico a Seguir
A dúvida sobre se o cristão pode declarar que está jejuando surge muitas vezes da leitura isolada de Mateus 6:16-18. Nesse texto, Jesus orienta que, ao jejuar, os discípulos não devem apresentar um semblante contristado nem desfigurar o rosto para demonstrar publicamente a sua prática espiritual, pois os hipócritas que agem assim já receberam a sua recompensa humana. A instrução de Cristo é que a pessoa unja a cabeça, lave o rosto e direcione o jejum ao Pai, que vê em secreto e recompensará publicamente.
O Contexto do Sermão da Montanha
Essa passagem não deve ser analisada isoladamente, visto que integra o Sermão da Montanha, o primeiro grande discurso público de Jesus na Terra. Nesse ensino, Cristo apresenta os valores do Reino dos Céus e ressignifica a prática da esmola, da oração e do perdão. O objetivo central de Jesus era confrontar a religiosidade dos fariseus, que realizavam atos devocionais com o propósito ostensivo de obter aprovação, prestígio e reconhecimento social.
A Confusão sobre o “Segredo” no Jejum
Devido a essa exortação de Jesus, surgiu o equívoco de que o jejum precisa ser mantido sob um sigilo absoluto. No entanto, o ensino bíblico visa combater a vaidade e a exibição ritualística dos religiosos da época, e não proibir estritamente qualquer menção ao jejum.
Motivação vs. Sigilo
A questão central não é a simples declaração verbal do jejum, mas a motivação do coração. A prática devocional deve ser dedicada a Deus, que é espírito e deseja ser adorado em espírito e em verdade, e não ser utilizada como ferramenta de autoexaltação perante os homens.
Aparência e Alegria
Em vez de cultivar uma fisionomia abatida ou desleixada para aparentar sofrimento espiritual, o cristão é orientado a cuidar de sua apresentação e expressar alegria ao buscar ao Senhor. Não há necessidade de anunciar o jejum com arrogância; porém, se for questionado de forma direta, é adequado responder com honestidade, simplicidade e cordialidade.
O Perigo de Mentir durante o Jejum
Um erro frequente cometido por quem busca o sigilo irrestrito é recorrer a mentiras — como alegar falta de apetite ao recusar uma refeição comunitária. A orientação bíblica ressalta que mentir para ocultar a prática espiritual é desnecessário e pode comprometer o propósito da entrega. É mais edificante responder com graça: “Estou jejuando, buscando ao Senhor”, transformando a resposta em um testemunho sincero de comunhão.
Jesus contou que jejuou?
O relato evangélico registra que Jesus jejuou por 40 dias no deserto. O fato de essa informação ser de conhecimento público demonstra que o próprio Senhor ou seus discípulos compartilharam a experiência. Isso confirma que relatar o jejum não é proibido; o que a Bíblia condena é a religiosidade, os rituais vazios e a busca por glória humana.
Conclusão
A transformação promovida pelo Reino de Deus opera de dentro para fora, valorizando a sinceridade de intenções que habita no coração. Quando a busca por Deus é pautada pela obediência genuína e pela alegria, a atitude externa reflete a realidade espiritual interior, garantindo o verdadeiro galardão concedido pelo Pai.
Deus te abençoe!
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