Quem não costuma estudar a Bíblia Sagrada, ao se deparar com a expressão evangelhos sinóticos, certamente pensará que estamos falando de outro Evangelho (risos. Jamais faríamos isso, pois o apóstolo Paulo disse em Gálatas 1.8 que quem anunciasse outro Evangelho que não fosse o do Senhor Jesus Cristo seria amaldiçoado.
Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson fala sobre os evangelhos sinóticos, explicando a origem do termo sinótico e a relação estreita que há entre eles. Também sita dados sobre estes evangelhos, como autoria, objetivo e provável ano de escrita, incluindo o Evangelho de Jesus Cristo escrito por João, enfatizando que este não veio contradizer, mas complementar os outros.
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Deus o abençoe.

Leia o Estudo Bíblico a Seguir

Este guia completo explica o que são os evangelhos sinóticos, as principais diferenças entre os relatos de Mateus, Marcos e Lucas, e como o evangelho de João complementa essa visão bíblica.

O que significa a palavra “Evangelho”?

Antes de entender a classificação sinótica, é fundamental compreender o termo “evangelho”, que se origina do grego e significa “boa notícia” ou “Boa Nova”. No contexto bíblico, ele se refere à mensagem de salvação trazida por Jesus Cristo e pode ser compreendido sob três aspectos principais:

  1. A Mensagem de Jesus: A própria boa notícia da salvação oferecida por Cristo.
  2. Conjunto de Livros: O grupo dos quatro primeiros livros que abrem o Novo Testamento.
  3. Cada Livro Individual: Refere-se especificamente a cada um dos escritos: Mateus, Marcos, Lucas e João.

O que são os Evangelhos Sinóticos?

Os livros de Mateus, Marcos e Lucas são conhecidos como evangelhos sinóticos. O termo “sinótico” vem do grego e significa “mesma visão”.

Eles recebem esse nome porque compartilham uma estrutura narrativa comum, apresentando muitos eventos e histórias semelhantes da vida de Jesus sob uma perspectiva comparável. Embora cada autor tenha um objetivo e público específicos, eles narram os mesmos fatos, mostrando a perfeição de Cristo e complementando-se mutuamente.

A Origem e a Fonte Comum

Estudos acadêmicos e a tradição cristã apontam que o evangelho de Marcos serviu como base para Mateus e Lucas. Escrito por volta de 64 d.C. a 70 d.C., Marcos foi utilizado como uma das principais fontes pelos outros dois autores, o que explica a grande semelhança entre os textos.

Além de Marcos, outras fontes para a compilação desses relatos incluíram figuras da igreja primitiva, como Maria (mãe de Jesus) e seus irmãos. Esses registros foram organizados à medida que os apóstolos morriam, visando preservar os ensinamentos originais de Jesus.


Características de cada Evangelho Sinótico

Cada autor escreveu com um propósito distinto, focando em diferentes facetas da identidade de Jesus:

  • Evangelho de Marcos (O Servo e o Poder):
    • Autor: João Marcos, discípulo de Pedro e companheiro de Paulo.
    • Público: Escrito principalmente para os romanos.
    • Foco: Destaca as ações rápidas, os milagres e a manifestação do poder de Deus.
  • Evangelho de Mateus (O Messias Prometido):
    • Autor: Mateus, um dos 12 apóstolos diretos de Jesus.
    • Público: Direcionado aos judeus cristãos.
    • Foco: Provar que Jesus de Nazaré é o Messias, conectando sua vida às profecias do Antigo Testamento.
  • Evangelho de Lucas (O Salvador do Mundo):
    • Autor: Lucas, médico e companheiro de missões de Paulo.
    • Público: Escrito para os gregos e gentios.
    • Foco: Apresenta Jesus como o “Filho do Homem”, enfatizando sua humanidade e salvação universal. Curiosamente, alguns teólogos sugerem que Lucas poderia ter sido o “jovem rico” mencionado na Bíblia devido às suas posses.

O Evangelho de João: A Visão Complementar

Diferente dos sinóticos, o evangelho de João foi escrito mais tarde, por volta de 95 d.C., em Éfeso. Ele não é classificado como sinótico porque foca em aspectos teológicos e espirituais mais profundos, em vez de seguir a mesma cronologia narrativa dos outros três.

  • Propósito: Revelar a divindade de Jesus à Igreja e aos gentios da Ásia Menor.
  • Diferencial: João, o “discípulo amado”, oferece um relato íntimo, focando em momentos privados com os discípulos e em temas que os outros evangelistas não exploraram detalhadamente.
  • Canonicidade: Apesar de suas diferenças estruturais, o livro de João é canônico e passou por critérios rigorosos para ser integrado ao Novo Testamento.

Harmonia e a Mensagem Central

Embora apresentem perspectivas variadas (Mateus para judeus, Marcos para romanos, Lucas para gregos e João para a igreja), os quatro evangelhos mantêm uma harmonia perfeita. Eles convergem nos eventos cruciais da vida de Cristo, como:

  • O Batismo;
  • A Multiplicação dos pães;
  • A Entrada triunfal em Jerusalém;
  • A Morte e a Ressurreição.

Conclusão

A mensagem central é que Jesus Cristo é 100% homem e 100% Deus, sendo o único intermediário entre Deus e os homens. O evangelho é a única fonte de salvação, e qualquer mensagem que divirja desse fundamento deve ser rejeitada, conforme o alerta em Gálatas 1:8.
Deus te abençoe!

Sobre o Autor

Jean Peterson
Jean Peterson

Mestre em Bibliologia, Especialista em Exegese e Interpretação Bíblica. Aprendi a estudar a Bíblia com profundidade, direção, clareza e constância. Desejo que você tenha a mesma oportunidade de ter sua vida transformada pela Palavra de Deus.

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