O movimento neopentecostal trouxe para o meio evangélico algumas práticas, como a unção de pessoas e objetos com óleo para diversos fins. Ungem carro, casa, documentos e até partes dos corpos das pessoas, visando receber proteção contra o mal.
Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson explica a origem do óleo para unção, bem como sua aplicação nos contextos do Velho e do Novo Testamento, visando identificar se a prática de ungir pessoas e objetos continua válida.
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Deus o abençoe.
Leia o Estudo Bíblico a Seguir
A prática de ungir com óleo gera muitas dúvidas entre os cristãos contemporâneos, especialmente sobre a legitimidade de ungir objetos, casas ou pessoas para proteção e prosperidade. Biblicamente, a unção possui significados distintos dependendo do contexto (Antigo ou Novo Testamento) e da finalidade do ato.
Abaixo, apresentamos um guia completo sobre o que as Escrituras realmente ensinam sobre esse tema.
A Unção com Óleo no Antigo Testamento: Rito e Consagração
No Antigo Testamento, a referência fundamental está em Êxodo 30, onde Deus instrui Moisés sobre a composição e o uso de um óleo sagrado.
A Fórmula Sagrada
O óleo da unção não era um azeite comum, mas uma mistura específica preparada por um perfumista, composta por:
- Mirra
- Cânfora
- Cálamo aromático
- Cássia
- Azeite de oliva
Para que servia o óleo?
A finalidade principal era a santificação, ou seja, a separação de algo ou alguém para o uso exclusivo de Deus. Eram ungidos:
- O Tabernáculo e todos os seus utensílios (Arca, mesa, candelabro).
- Os Sacerdotes (Arão e seus filhos).
- Os Reis de Israel (como Saul e Davi).
- Eventualmente, os profetas.
Atenção aos limites: O uso indiscriminado era proibido. O texto de Êxodo 30:32-33 alerta que o óleo não deveria ser passado na “carne do homem” comum e quem reproduzisse a fórmula para uso indevido deveria ser eliminado do povo.
O Cumprimento em Jesus Cristo
Muitos rituais da Lei Mosaica, incluindo a unção, eram sombras de realidades espirituais que se cumpririam em Jesus.
- Jesus é o Messias (O Ungido): Ele cumpriu os papéis de Sacerdote, Rei e Profeta.
- Mudança na Lei: Com o surgimento de um novo sacerdócio em Cristo, houve uma mudança na necessidade de seguir ritos cerimoniais temporários do Antigo Testamento.
A Unção no Novo Testamento: Cura e Espírito Santo
No Novo Testamento, a prática muda de foco. O termo grego para ungir divide-se em dois conceitos fundamentais:
- Aleiphō (ἀλείφω): Usado para contextos comuns, medicinais ou estéticos (como em Marcos 6:13 e Lucas 7:46).
- Chriō (χρίω): Usado para contextos sagrados e espirituais, como a consagração de Cristo e a unção dos crentes pelo Espírito Santo.
A Unção dos Enfermos
O texto clássico de Tiago 5:14-15 orienta que, se alguém estiver doente, deve chamar os presbíteros para que orem e o unjam com azeite. Aqui, o óleo funciona como um símbolo, e o que promove a cura é a oração da fé em nome do Senhor.
Pode Ungir Objetos, Carros e Documentos Hoje?
A prática comum em ambientes neopentecostais de ungir chaves, fotos, carteiras, carros ou casas para proteção e prosperidade não possui base bíblica clara.
Riscos da Prática sem Embasamento:
- Falta de Respaldo: Não há textos que orientem ungir bens materiais para atrair dinheiro ou evitar acidentes.
- Conflito Teológico: Se seguíssemos o Antigo Testamento à risca, tudo o que fosse ungido deveria ser usado exclusivamente para o serviço de Deus, perdendo sua utilidade comum.
- Superstição: Tratar o óleo como um amuleto mágico ou “ponto de contato” obrigatório pode levar à idolatria e ao ritualismo, semelhante ao que ocorreu com imagens na Idade Média.
A Verdadeira Unção: O Espírito Santo
Para o cristão sob a Nova Aliança, a proteção e o poder não vêm de um objeto físico, mas da presença do Espírito Santo.
- 1 João 2:20, 27: Afirma que todos os crentes receberam a unção do Santo, que permanece neles.
- Consagração pelo Propósito: Bens materiais (como instrumentos de trabalho ou pregação) são consagrados a Deus pela gratidão e pelo propósito de uso, e não necessariamente pelo óleo.
Conclusão
Para evitar o misticismo e manter a fidelidade bíblica, considere os seguintes pontos:
| O que FAZER (Bíblico) | O que EVITAR (Sem base) |
|---|---|
| Ungir enfermos com oração da fé (Tiago 5:14). | Ungir objetos para “trazer o amor de volta” ou quebrar maldições. |
| Confiar na unção do Espírito Santo que já habita em você. | Tratar o óleo como um amuleto sagrado ou objeto de poder em si. |
| Consagrar seus bens através da gratidão e oração. | Banalizar o símbolo ungindo carros, ruas ou eletrônicos. |
| Entender o óleo como um símbolo, não a causa da bênção. | Repetir rituais do Antigo Testamento que Cristo já cumpriu. |
O equilíbrio é a chave: use o óleo quando houver instrução clara (como no caso dos enfermos), mas não permita que rituais substituam a fé e a obediência a Deus.
Deus te abençoe!
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