Campanhas fazem parte do cotidiano da maioria das igrejas pentecostais e neopentecostais. Ao longo do tempo, trouxeram muita edificação para o corpo de Cristo, mas atualmente o que temos visto é um show de problemas doutrinários que produzem cristãos fracos e dependentes.
Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson trata sobre alguns aspectos que nos auxiliam a entender se campanhas devem fazer parte da liturgia das igrejas evangélicas e como filtrar por aquelas que realmente trazem crescimento em graça e conhecimento da Palavra.
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Deus o abençoe.
Leia o Estudo Bíblico a Seguir
A pergunta sobre a legitimidade das campanhas é comum entre cristãos e líderes. Para responder com clareza, precisamos primeiro definir o que é uma campanha: trata-se da união de esforços de um grupo para atingir um objetivo específico, seja ele social, espiritual ou missionário. No contexto eclesiástico, isso pode envolver arrecadação de alimentos, períodos de oração e jejum, ou ações evangelísticas.
1. Os Três Pilares de uma Campanha Bíblica
Para avaliar se uma prática é correta, devemos analisar três pontos fundamentais: motivação, conteúdo e fundamento doutrinário.
A Motivação por Trás da Ação
A intenção deve estar alinhada aos princípios de Cristo. Questione-se:
- A campanha visa uma obra social ou apoio a entidades filantrópicas?
- Busca o crescimento espiritual da igreja e a salvação de almas?
- É um período dedicado ao jejum e oração?
- Atenção: Se o objetivo for apenas o enriquecimento de alguém ou a barganha por bens materiais, a motivação está distorcida.
O Conteúdo e a Comercialização da Fé
Muitas campanhas modernas, especialmente em contextos neopentecostais, utilizam elementos como a “rosa ungida”, “muralhas de Jericó” ou “arca da aliança”. O perigo surge quando ocorre a comercialização da fé, condicionando a bênção de Deus a uma “oferta de gratidão” obrigatória.
A Bíblia é clara em Efésios 2:8-9: somos salvos pela graça, por meio da fé, e não por obras ou pagamentos. Se a salvação foi gratuita, as demais promessas de Deus não podem ser vendidas.
A Base Doutrinária e o Uso de Versículos
É comum o uso de versículos fora de contexto, principalmente do Antigo Testamento, para justificar sacrifícios financeiros. No entanto, o Novo Testamento ensina que o sacrifício perfeito foi feito por Cristo; nosso chamado hoje é para a obediência e fé, não para pagamentos em troca de milagres.
2. Diferença entre Textos Narrativos e Normativos
Um erro comum na criação de campanhas é não distinguir os tipos de textos bíblicos.
- Textos Narrativos: Relatam histórias reais para nossa edificação e instrução (ex: a sombra de Pedro curando ou os lenços de Paulo). São descrições históricas, não ordens para serem repetidas como ritos.
- Textos Normativos (Prescritivos): Contêm orientações práticas e ordens diretas para a conduta cristã, presentes fortemente nas cartas de Paulo.
Campanhas baseadas em objetos “ungidos” (sabonetes, vassouras, etc.) não possuem fundamento normativo no Novo Testamento. Jeremias 3:16 já indicava que elementos como a arca seriam esquecidos, pois tudo se cumpre em Jesus.
3. Exemplos de Campanhas Legítimas na Bíblia
A Bíblia apresenta modelos de esforços coletivos que foram aprovados por Deus:
| Exemplo Bíblico | Referência | Objetivo da Campanha |
|---|---|---|
| Jejum de Ester | Ester 4:16 | Intercessão coletiva contra o genocídio do povo judeu. |
| Jejum de Josafá | 2 Crônicas 20:1-4 | Busca por socorro divino diante de uma ameaça militar. |
| Generosidade Macedônica | 2 Coríntios 8:1-5 | Ofertas voluntárias e espontâneas para irmãos necessitados. |
4. O Perigo do Foco Exclusivamente Material
As Escrituras não trazem exemplos de campanhas cujo objetivo central fosse prosperidade financeira, casas ou carros. O foco das campanhas bíblicas era a busca por Deus e o cumprimento de Seu propósito.
O apóstolo Paulo adverte em 1 Coríntios 15:19 que, se esperamos em Cristo apenas para esta vida (bens temporais), somos os mais miseráveis dos homens. Uma igreja sem ensino bíblico sistemático torna-se vulnerável a esses erros, baseando-se apenas em experiências emocionais.
5. O Verdadeiro Propósito da Adoração
A vida cristã deve ser pautada na gratidão e santidade, e não em trocas.
- Adorar em Espírito e em Verdade: Conforme João 4:23-24, o culto deve ser focado em entrega ao Pai, não apenas em pedidos.
- Culto Racional: Segundo Romanos 12:1-2, o sacrifício que agrada a Deus é a nossa própria vida transformada e santa.
Conclusão
Você pode participar de campanhas que sejam cristocêntricas (Jesus no centro) e não antropocêntricas (focadas nos desejos do homem). Elas devem promover a alegria, a oração incessante e o exame das Escrituras para reter o que é bom.
Lembre-se: Jesus é o centro da nossa fé, e a verdadeira campanha é aquela que glorifica a Deus e edifica a igreja no conhecimento da Palavra.
Deus te abençoe!
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