Atualmente ainda existem cerca de 500 povos que nunca ouviram o Evangelho de Jesus Cristo. Será que alguém nessa situação pode ser salvo se vier a falecer ou Jesus voltar?
Neste episódio do Por Dentro da Bíblia, Jean Peterson fala sobre o destino eterno daqueles que nunca tiveram a oportunidade de ouvir o Evangelho de Jesus em sua vida, buscando identificar se serão salvos ou condenados. Também trata da importância do investimento na obra missionária para alcançar tais pessoas.
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Deus o abençoe.
Leia o Estudo Bíblico a Seguir
O estudo da salvação humana, denominado soteriologia, aborda uma das questões mais intrigantes para cristãos e estudiosos das Escrituras: quem nunca teve contato com a Palavra de Deus ou com a pregação do Evangelho pode ser salvo?. Compreender esse tema é essencial para discernir a forma como Deus se manifesta aos seres humanos e de que maneira Ele estende a oportunidade de salvação.
As Duas Formas da Revelação de Deus
Para analisar a possibilidade de salvação daqueles que jamais ouviram a pregação bíblica, deve-se reconhecer que Deus se dá a conhecer por meio de duas vias principais: a revelação geral (ou natural) e a revelação especial.
1. Revelação Geral ou Natural
A revelação geral ocorre continuamente na manifestação e preservação do cosmos:
- O testemunho da criação: Conforme expresso no Salmo 19:1, “os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”, evidenciando o Criador por meio da natureza.
- A manifestação do divino: O texto de Romanos 1:19-20 ensina que os atributos invisíveis de Deus, como o Seu poder eterno e divindade, são claramente percebidos pela criação.
- A condição humana: Diante desse testemunho na natureza e na consciência, a humanidade torna-se indesculpável. Mesmo sem o texto bíblico em mãos, o homem observa a criação e possui uma consciência interior que indica a existência de um Criador soberano a quem deverá prestar contas.
2. Revelação Especial
Enquanto a revelação geral aponta para a existência de Deus, a revelação especial consiste na Sua comunicação direta e redentora:
- A Palavra e o Filho: De acordo com Hebreus 1:1-2, Deus falou antigamente por meio dos profetas e, nestes últimos tempos, comunicou-se plenamente por intermédio de Seu Filho, Jesus Cristo, o herdeiro de tudo e criador do universo.
- Meios históricos no Antigo Testamento: Deus manifestou Sua voz por meio de sonhos, visões, anjos e teofanias (aparições físicas de Deus).
- A centralidade de Cristo: Todo o propósito e desdobramento da revelação divina culmina e se encerra em Jesus.
A Consciência Humana e a Lei no Coração
A ausência das Escrituras não significa ausência total de senso moral:
- A lei impressa no íntimo: Povos que desconhecem a lei escrita carregam a obra da lei gravada no coração.
- O testemunho interior: Conforme Romanos 2:12-15, a própria consciência humana testemunha por meio de pensamentos que acusam ou defendem suas ações.
- Percepção moral inata: A distinção entre o certo e o errado é percebida espontaneamente pelo ser humano, sendo visível inclusive em crianças.
- A busca dos povos tradicionais: Comunidades indígenas e civilizações isoladas desenvolvem práticas religiosas e buscam uma divindade precisamente por reconhecerem a existência de um padrão moral e de um ser superior.
Jesus: O Único Caminho para a Salvação
Apesar da clareza da revelação natural, a salvação plena e a restauração da comunhão com Deus ocorrem exclusivamente mediante uma única pessoa:
- Atos 4:12: Não existe nenhum outro nome debaixo do céu pelo qual a humanidade possa ser salva.
- João 14:6: Jesus declarou ser o caminho, a verdade e a vida, estabelecendo que ninguém vai ao Pai a não ser por Ele.
- 1 Coríntios 3:11: Não se pode assentar nenhum outro fundamento além daquele já posto: Jesus Cristo.
- Efésios 2:8: A salvação é concedida exclusivamente pela graça, mediante a fé, sendo dom gracioso de Deus e não resultado de méritos próprios.
- A necessidade universal da graça: Em razão de Romanos 3:23, todos pecaram e carecem da glória divina, o que coloca os que já ouviram o Evangelho e os que ainda não ouviram sob a mesma carência da misericórdia de Deus.
A Soberania de Deus e o Alcance dos Povos
A prerrogativa de condenar ou salvar não pertence aos homens, mas é um atributo exclusivo da soberania divina:
- O julgamento pertence ao Senhor: O julgamento final é um encargo exclusivo de Deus, cabendo a Ele salvar quem desejar conforme Sua própria graça, alertando os cristãos a não assumirem o papel de juízes que discriminam por aparências externas, como tatuagens.
- O avanço missionário nos povos não alcançados:
- Na década de 1980, registravam-se mais de 5.000 povos não alcançados.
- Por volta do ano 2000, o número caiu para cerca de 2.700 povos.
- Atualmente, restam aproximadamente 500 povos sem a proclamação do Evangelho.
- Meios extraordinários: Deus também utiliza intervenções sobrenaturais para se revelar, como testemunhos de muçulmanos e budistas que professaram a fé após sonhos e visões com Jesus.
- A paciência de Deus: O Criador é longânimo e deseja que todos cheguem ao arrependimento, não querendo que ninguém se perca (2 Pedro 3:9; Atos 17:30), havendo o entendimento de que Ele proporcionará ao menos uma oportunidade para que cada ser humano ouça a mensagem da redenção.
O Chamado para Cooperar com a Missão
A aparente demora na segunda vinda de Jesus está diretamente relacionada à necessidade de que todas as nações e povos sejam alcançados pela mensagem da salvação. Desse modo, o dever dos crentes não é especular sobre o destino final alheio, mas se envolver ativamente no esforço evangelístico.
Quatro Formas Práticas de Cooperar:
- Orar: Interceder continuamente pelos missionários em serviço.
- Ofertar: Sustentar financeiramente organizações missionárias e iniciativas que proclamam Cristo.
- Ir: Atender pessoalmente ao chamado transcultural e partir para o campo missionário.
- Pregar no cotidiano: Testemunhar a mensagem da cruz aos vizinhos e colegas de jornada diária, aproveitando cada oportunidade em meio ao contexto de crise do mundo.
Conclusão prática: Visto que a salvação não decorre de mérito humano, mas da ação do Senhor, a Igreja tem a responsabilidade indelegável de levar essa mensagem de esperança a todos os cantos da terra.
Deus te abençoe!
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